O Forum Faz Cultura, tendo em seu estatuto a defesa dos direitos culturais e do ser humano, a promoção da inclusão e da acessibilidade, o respeito as diversidades, não poderia deixar de apoiar a campanha "Capricha na Inclusão" e a causa dos autistas.

A campanha “Capricha na Inclusão” é uma iniciativa de unificação de diversos
movimentos de luta pelos direitos das pessoas com autismo, para dar visibilidade e apoiar a pauta encaminhada ao Ministério da Educação. Que resumimos a seguir:

A expressão “Práticas Baseadas em Evidências” refere-se a um conjunto de
intervenções sobre a realidade, em diversos âmbitos, tais como medicina, psicologia,
serviço social e educação, que possuem enorme confiabilidade, pois foram
demonstradas como eficazes nos testes mais rigorosos e diversos.
Países mais avançados em termos de inclusão, como os Estados Unidos,
implementaram as práticas de inclusão baseadas em evidências e logram resultados
extremamente positivos desde então.
Reconhecemos que o MEC não possui um papel ordenador em relação aos
sistemas estaduais e municipais, mas seu papel orientador é o farol da educação
nacional. É por isto que solicitamos duas medidas desta instituição, que não acarretam
custo ou adesão a outros princípios que não os já sinalizados em outros órgãos deste
próprio Ministério.
São os pedidos:
1. Que o MEC publique uma orientação aos sistemas de ensino para que
priorizem Práticas Baseadas em Evidências na inclusão escolar;
Comunicação via PECS ou outras formas de comunicação alternativa,
suplementar ou aumentativa (que muitas vezes são proibidas nas escolas – por
desconhecimento dos gestores), atividades de habilidades sociais para melhoria das
relações escolares e treinos de comunicação funcional para a redução de episódios de
agressividade, por exemplo, estão entre as práticas demonstradas como eficazes para a
inclusão da pessoa com autismo, mas a que não temos normalmente acesso, produzindo
situações em que a criança não consegue se comunicar (daí a piora de seu
comportamento), se relacionar com os colegas ou desenvolve crises de agressividade tão
graves que tornam a permanência na escola improvável (daí os altos índices de evasão
escolar do Público-alvo da Educação Especial no Ensino Fundamental),
respectivamente.
Priorização não significa exclusividade ou obrigatoriedade, de modo que
nenhuma outra prática ou experiência de sucesso será coibida ou pressionada de
nenhuma forma. A ideia, bastante simples, é a de que, em um processo decisório, faz
bem o gestor que decide por uma prática a que se sabe que funciona, ante outra cujos
efeitos ainda não conhecemos. Para além disso, o MEC oferece um referencial, clamado
por todos os sistemas de ensino.
2. Que o MEC publique bienalmente uma lista de que práticas possuem
evidência para a pessoa com Transtorno do Espectro Autista;

Duas grandes organizações internacionais publicam listas atualizadas das
Práticas Baseadas em Evidências para o Transtorno do Espectro Autista. São elas o
National Autism Center, por meio do National Standard Project, em que os dados são
tratados por meio de integração estatística que produz o mais alto nível de evidência, a
que chamamos de Metanálise e o National Professional Development Center on ASD
produz Revisões Sistemáticas com enorme rigor, revisões sistemáticas estão um degrau
abaixo, mas também estão no nível mais alto de evidência.
O Ministério da Educação pode tanto criar um grupo para a elaboração deste
estudo de descrição das evidências, pautados pelos critérios de uma destas instituições
(ou uma convergência delas) ou reproduzir em português a que melhor lhe aprouver.
https://autismpdc.fpg.unc.edu/evidence-based-practices
http://www.nationalautismcenter.org/national-standards-project/